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Louvor como arma de guerra!

Foi dito ao rei Josafá que os moabitas e amonitas estavam vindo contra Judá em grande multidão para lhe fazer guerra. Naturalmente, Josafá teve medo e pôs-se a buscar ao Senhor com humildade. Ele recebeu da parte de Deus a estratégia certa para ser vencedor nessa batalha.

Desde que saiu do Egito, Israel sempre viveu em guerra, raros foram os momentos de paz. Davi reinou em Israel por quarenta anos, mas, depois da sua morte, seus filhos que o sucederam se meteram com a idolatria levando Israel ao pecado. Como consequência, as doze tribos de Israel foram divididas em reino do norte e reino do sul. O reino do norte, com dez tribos, continuou com o nome de Israel e o reino do sul, Judá, com duas tribos e meia  ficou com a casa de Davi. Josafá foi o quinto rei depois de Davi e era temente a Deus. Mas, um pouco antes da invasão dos moabitas e amonitas, Josafá foi repreendido pelo profeta Jeú, por ter se aliançado com Acabe, rei de Israel, e ido à guerra  com ele contra Ramote-Gileade, batalha na qual o próprio Acabe foi morto, e Josafá foi salvo por grande livramento do Senhor. Há sempre um grande perigo em  fazer alianças ou andar com aqueles que não temem a Deus, o mal que os persegue pode atingi-lo. Jeú trouxe a Josafá uma Palavra do Senhor: Devias tu ajudar o ímpio e amar aqueles que ao Senhor aborrecem? Por isso, virá sobre ti grande ira da parte do Senhor. 2 Cr 19.2

A investida dos moabitas e amonitas contra Judá foi decorrente da atitude errada de Josafá em se aliançar com Acabe, foi usada por Deus para afligir Josafá. Contudo, Josafá teve uma atitude correta diante de Deus,   em relação ao juízo profetizado que estava por vir contra ele. Ao chegar contra ele a guerra, não murmurou, não se desesperou e não buscou alianças com outros reis, mas se humilhou. Ele convocou todo o Judá para jejuar e clamaram ao Senhor. Josafá diante de todo o povo declarou a Soberania de Deus, trouxe à memória os feitos do Senhor, reconheceu a fraqueza do seu povo diante do exército inimigo e oraram por livramento. O Senhor sempre atende  a um coração quebrantado, que reconhece seus erros e depende totalmente dele.

A estratégia – Deus, através do profeta Jaaziel, deu uma palavra de ânimo para o povo e o seu rei  dizendo que eles não teriam que pelejar, porque o Senhor pelejaria por eles. Josafá creu nessa Palavra e incentivou o povo a crer também, porque, assim, prosperariam e juntamente com o povo adorou.  Josafá, dirigido pelo Espírito Santo de Deus, decidiu que à frente do exército deveriam colocar cantores que louvassem ao Senhor. E a canção era a seguinte: Louvai ao Senhor, porque a sua benignidade é para sempre. Assim foi feito! E, à medida que começaram a louvar, o Senhor pôs emboscadas contra os filhos de Amom e de Moabe e os das montanhas de Seir, que vieram contra Judá, e foram desbaratados. 2 Cr 20.22

O Louvor é uma potente arma de guerra! O louvor a Deus constitui-se em fazer menção dos seus feitos poderosos, reconhecer a sua soberania e poder e, acima de tudo, trazer diante dEle um coração grato por tudo que Ele tem  dispensado com a sua graça e bondade, independente das circunstâncias. Louvar a Deus em meio a crises é um ato de fé, e Deus se agrada disso. Diante das batalhas da vida, o inimigo quer nos abater, nos enfraquecer e nos fazer mergulhar em uma onda de desânimo.  O louvor genuíno ao Senhor Deus o afugenta, ele pode ver que seu jogo não funciona quando os filhos de Deus escolhem louvá-lo.  Quando o Senhor se levanta como General de Guerra, a vitória é certa! Cumpre-se a Palavra: Mil cairão ao teu lado e dez mil a tua direita, mas tu não serás atingido! Somente com os teus olhos olharás e verás a recompensa dos ímpios  Sl 91.7-8  Em Judá, Deus veio guerrear pelo seu povo enquanto louvavam. E, hoje, isso continua a se repetir. Em meio às batalhas da vida, levantemo-nos com ousadia com cânticos de louvores ao nosso Deus, e a vitória é garantida.

Adoração a Deus

Adoração – Palavra que está na boca de muitos que se consideram Adoradores de Deus, mas poucos sabem ou vivem o seu real significado. Comumente, adoração é  um termo que indica amor intenso, imenso ou apaixonado,  podendo também ser interpretado como respeito, reverência, forte admiração ou devoção em relação a determinada pessoa, lugar ou coisa. Mas, em relação a Deus, Adoração significa muito mais.

Adoração não é apenas cantar canções com letras que exaltam o nome de Deus, dançar ou pular nas ministrações de louvores.  Adoração também não é apenas louvar. Louvar é fazer menção dos feitos de Deus, é reconhecer que Ele é o Deus Criador de todas as coisas.  Adorar a Deus é reconhecer, também, que Ele é o Criador e Soberano sobre todas as coisas, mas a adoração exige uma atitude muito mais profunda diante de Deus, é a linguagem da alma que nasce em um espírito quebrantado e totalmente rendido a Deus.

Não se pode adorar a Deus de qualquer forma. A adoração requer uma atitude espiritual.  Na verdadeira adoração, o corpo e a alma devem  expressar apenas o que vem do espírito, porque não há sentido de se falar em adoração se não for em ação conjunta com um espírito nascido de novo e em plena comunhão com Deus. Isso  é que pode trazer uma adoração aceitável diante de Deus, uma adoração que rompe os céus e chega diante do seu Trono.  “Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade”.

Há alguns requisitos para a verdadeira adoração. A fé é o primeiro ponto necessário a um adorador. “Sem fé é impossível agradar a Deus”. Sem fé, não há relacionamento com Deus, sem fé não há espírito renascido, sem fé não pode haver adoração.  A fé leva uma pessoa a crer que a Palavra de Deus é a verdade e à obediência a essa Palavra. Sem obediência irrestrita a sua Palavra, a nossa adoração não passa de lindas   canções que não chegam ao seu destino.  A verdadeira adoração exige total reverência e um espírito consciente. Não se pode chegar diante de Deus em adoração de forma irreverente  ou sem o entendimento pleno de um adorador. O adorador espera entrar na sala do trono e contemplar a glória do Senhor. E quem pode entrar em sua presença, quem pode desfrutar da íntima presença de Deus, quem pode habitar no seu tabernáculo? O rei Davi, o grande adorador, responde: Aquele que anda em sinceridade, e pratica a justiça, aquele que honra os que temem ao Senhor. Sl 15. Os limpos de coração, são eles que verão a Deus. Mt 5.8. Pecado e adoração não combinam. Por isso, antes de entrarmos diante do Senhor em adoração, devemos sondar o nosso coração se, porventura, há alguma coisa a ser consertada, que seja confessada e perdoada através do sangue de Jesus.

Toda a  criação é chamada a louvar a Deus, mas os homens são chamados  a algo mais além do louvor, à adoração, assim como os anjos.

Em Apocalipse 4, na visão que João teve do trono de Deus, temos exemplo da verdadeira adoração. Os quatro animais dia e noite não paravam de dizer: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo Poderoso, que era, que é e que  há de vir. Eles davam glórias diante do Trono ao que vive para todo o sempre. Enquanto isso, vinte e quatro anciãos se prostravam e  lançavam suas coroas diante do trono dizendo: Digno és, Senhor, de receber glória e honra, e poder, porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas. Observamos que em primeiro lugar, a santidade de Deus é proclamada incessantemente. A santidade de Deus deve ser a consciência primordial de um adorador. Sl 96.9; Sl 29.2 .Se temos essa consciência, não podemos chegar diante dele sem uma vida separada de tudo que é abominável aos seus olhos. Essa consciência deve vir acompanhada também do reconhecimento de que somente Ele é digno! E porque somente Ele é digno, não podemos adorar mais nada além dele. Não podemos adorar um determinado grupo de louvor, um cantor em especial, nem mesmo algumas canções de louvor. Porque a honra, a glória, o louvor e a adoração pertencem a Ele somente.

“Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis ão os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Porque quem compreendeu o intento do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glória, pois, a Ele eternamente, Amém”!

Um juiz irado!

Deus é um juiz justo, um Deus que se ira todos os dias. Salmos 7.11

A justiça dos homens foi estabelecida para trazer um justo juízo nas questões de sua alçada. Mas todos sabem que nem sempre as causas judiciais são julgadas com retidão e equidade. Os homens, devido a sua pecaminosidade, julgam injustamente, trazendo sempre insatisfações. Há um clamor por justiça, isso é natural ao ser humano, apesar de ser genuinamente pecador. Quanto mais reta é uma pessoa, maior o seu senso de justiça. E Deus, como será a sua tolerância com a injustiça?

Muitos falam do amor de Deus como uma fator que o pode levar a não tomar medidas drásticas contra as injustiças cometidas por cada homem. Quantos nunca ouviram ou pensaram assim: Deus é bom, tão bom que jamais colocaria alguém no inferno. Segundo a sua Palavra, que é Soberana sobre todas as demandas dos homens, todos são culpados diante dEle. E como um justo juiz, é vingador de todas as transgressões dos homens. “Não há um homem justo, nem um só. Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Porque o salário do pecado é a morte”. Indiscutivelmente, sobre cada homem, por melhor que seja, pesa a condenação divina, a ira de Deus. A sua santidade não pode contemplar ou tolerar o mal.

Como homens maus,  nos indignamos com as injustiças cometidas pelos homens que cometem toda sorte de perversidade. Qualquer pessoa, em sua normalidade, ao sofrer qualquer injustiça, deseja vingança e espera que os juízes aptos para julgarem a sua causa, sejam retos o suficiente para aplicar uma sentença justa ao infrator. É comum se ouvir: Que a justiça seja feita! Sabemos que nem sempre ela é executada, principalmente, nos dias atuais, em que a injustiça e a corrupção têm se alastrado pelo mundo e corrompido os corações até daqueles que deveriam aplicar o juízo corretamente.

O problema do homem com a justiça divina é um só: Deus é bom! E como Ele é bom, é também um bom juiz que julgará  com justiça os pecados do homem. Ele  não pode ignorar os deslizes humanos, por menores que sejam.

Como resolver o problema do homem pecador, diante de um justo juiz irado contra as injustiças cometidas?

Inexplicavelmente, Deus, por sua misericórdia e graça, providenciou um meio para resolver o problema do homem, criado a sua imagem e semelhança e para o louvor da sua glória. Ele enviou Jesus ao mundo que, como um Cordeiro, se entregou à morte de cruz no lugar do homem pecador, com o propósito de cumprir a justiça de Deus. Como podemos ver, Deus não poupou o seu próprio Filho, antes o entregou por um povo, não merecedor de qualquer benefício. Não foram os judeus ou os romanos que levaram Jesus à cruz, foi o próprio Deus, para nos redimir dos nossos pecados.

Até aqui, dá para ver a seriedade da condição humana: um ser sujeito à condenação, diante de um juiz irado. Por essa razão, nenhuma religião ou qualquer outro ser é capaz de aplacar a ira divina. Só o sangue do seu Filho, vertido na cruz do Calvário, é suficiente para retirar a sua ira do pecador e justificá-lo. Jesus disse: Eu sou o caminho a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai a não ser por mim.

Não nos enganemos com subterfúgios que tentam anular a ira divina. Se o homem não crer em Jesus como o  plano de Deus para a salvação,  com um arrependimento profundo dos pecados cometidos  e  uma conversão genuína,  permanece sob condenação divina, sob a sentença de um juiz irado e destinado à morte eterna. Corramos e nos apeguemos ao único Salvador: “Porque há um só Deus e mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem. E em nenhum outro há salvação, porque nenhum outro nome é dado entre os homens pelo qual devamos ser salvos”. Rejeitar essa oferta da graça de Deus, é permanecer sob condenação eterna, é  ter que encarar esse juiz irado no juízo final!

Glorificando na terra!

O evangelho de João traz uma das mais belas passagens da Bíblia, a oração sacerdotal de Jesus. Em um momento de comunhão com os seus discípulos, na véspera da sua crucificação, Jesus se dirige ao Pai em oração e revela o que está em seu espírito. Com menos de vinte quatro horas para deixar o seu corpo físico, Jesus encontra-se no clímax da sua existência neste mundo e deixa transparecer o que está no seu coração, em relação ao propósito para o qual veio ao mundo. Nem todos cumprem a sua missão de vida, mas Jesus é exemplo de um homem que cumpriu plenamente aquilo para o qual esteve nesta terra, por isso, deve ser o nosso modelo inconfundível.

“Glorifiquei-te na terra”. Com isso, Jesus estava dizendo: Pai, você me enviou ao mundo com uma missão, e cumpri a obra para a qual Tu me enviaste, completei a carreira, tudo está consumado.  Não há nada melhor do que se viver o plano de Deus, do  que saber que se está vivendo a vida que agrada a Deus. Jesus veio com o propósito de salvar os homens de seus pecados e, assim, glorificar a Deus ao fazer a sua vontade. Por amor suportou a cruz, como um Cordeiro mudo apresentou o maior de todos os sacrifícios para resgatar a muitos.

Muitos vacilam sobre qual a  vontade de Deus para a sua vida em particular. Mas a vontade de Deus, de uma forma geral, está bem clara em sua Palavra, a Bíblia Sagrada. Em nossas limitações humanas, temos um objetivo em tudo que fabricamos, e isso não poderia ser diferente com o Criador do universo. Ele não poderia criar o homem, ou qualquer outra coisa, de forma aleatória e sem propósito. Não caímos neste mundo acidentalmente, mas Deus nos colocou aqui com o propósito nobre que é glorificar o seu nome. “…e os que criei para minha glória. Esse povo que formei para mim, para que me desse louvor”. Is  43.7,21.  ” Quando fugimos desse propósito não vivemos plenamente, um sentimento de insatisfação sempre nos acompanha, ainda que tenhamos todos os bens que a alma possa desejar. O espírito do homem veio de Deus e não há nada que possa preenchê-lo, a não ser o próprio Deus. Sem a presença perene do Espírito Santo na vida do homem, haverá sempre a falta da verdadeira alegria, e marcas de dores sempre estarão presentes. Fora da vontade de Deus, o homem sempre caminha cambaleante sem direção, semelhante a um navio  à deriva no oceano. Uma vida que não se submete e ignora o maior de todos os  propósitos para a sua vida, pode até saber de onde veio, mas não sabe por que está aqui nem para onde vai.

Jesus soube glorificar a Deus com a sua vida. Humildemente, Ele se sujeitou à vontade do Pai e se submeteu a pior de todas as mortes por obediência e amor, para que, por meio do seu trabalho doloroso, pudesse resgatar o mundo dos seus pecados. Se cremos, podemos ter vida hoje mesmo, viver a vida de Deus desde já, a vida eterna, comprada pelo sacrifício de uma vida que entendeu a sua missão.

Quantos neste mundo, em sua teimosia, vagueiam sem rumo  porque rejeitam a verdade e pensam que podem viver segundo os seus próprios desejos pecaminosos e, ainda assim, terminar bem. Se até o final se arrependerem,  enquanto em vida, e reconhecerem a verdade, a misericórdia de Deus é tão ilimitada que os recebe como filhos e lhes dá direito à herança eterna. Isso não é religião, é o padrão para entrar no reino de Deus: crer e se arrepender dos seus pecados porque todos os homens pecaram e o salário do pecado é a morte. Rm 3.23; 6.23.

A escolha mais acertada é descobrir e decidir viver o plano de Deus para a própria vida hoje: observar as Escrituras e procurar viver a ética do Reino, agradando a Deus e se submetendo a sua vontade em todas as coisas. E, no final da caminhada, poder dizer como Jesus: Glorifiquei o teu nome na terra, escolhendo fazer a tua vontade.

O Sangue e o Cordeiro

Feliz Páscoa! É o que mais ouvimos nesta semana. Todos os anos, faz-se referência e comemora-se a Páscoa, ainda que a maioria desconheça a sua origem e significado.  A Páscoa é uma festa de origem  genuinamente judaica e não tem nada a ver com coelhinhos e ovos. A Páscoa deve ser considerada a Festa de maior importância do Cristianismo por sua grande significação.  De uma forma geral, as pessoas estão mais preocupadas em viajar ou descansar,  fazer refeições sem carne vermelha e trocar ovos de chocolates, sem se dar conta do seu grande significado e importância.

Qual o verdadeiro significado da Páscoa? Tudo começou quando Deus escolheu Abraão e lhe fez a promessa de fazer de sua descendência uma grande nação. Deus disse que seus descendentes seriam peregrinos em uma terra que não seria sua e na qual seriam  afligidos por quatrocentos anos, mas sairiam com muitos bens. A profecia foi cumprida, e a descendência de Abraão entrou no Egito, quando José, seu bisneto, era o governador. O povo hebreu foi bem recebido por Faraó, mas, depois, levantou-se outro rei que não conhecera a José e usou de astúcia contra o povo de Israel e fez da opressão uma regra contra o povo de Deus. Deus levantou Moisés para tirar o seu povo do Egito. Ele foi a Faraó, mas o rei do Egito o resistiu e não deixou o povo sair. Deus enviou nove pragas, mas Faraó continuava irredutível. A décima e última praga foi a morte dos primogênitos egípcios, e, assim, o povo saiu do Egito como Deus prometera a Abraão. Setenta pessoas entraram no Egito, Jacó e seus filhos, depois de quatrocentos e trinta anos, seiscentos mil homens deixaram a terra de Faraó, sem computar as mulheres e as crianças.

Deus trouxe a décima praga sobre  os egípcios para quebrar a resistência do rei e libertar o seu povo da servidão. Com essa praga,  todos os primogênitos deveriam ser mortos.  Mas como o povo de Israel seria livre, se estava entre os egípcios? Deus ordenou a seu povo que cada família tomasse um cordeiro, macho e sem defeito, que fosse imolado e seu sangue deveria ser aspergido nas ombreiras e verga da porta de cada casa. À meia noite, o anjo da morte passaria,  ao ver o sangue, não entraria naquela casa e o primogênito que estivesse nela seria poupado da morte. As famílias israelitas creram e obedeceram e, dessa forma, foram poupados de grande dor. Os egípcios não tinham a marca do sangue e a vida dos seus primogênitos foi ceifada. Em cada casa havia um clamor, da casa de Faraó à casa do servo. Com essa tragédia, Faraó liberou a saída do povo de Deus que saiu apressadamente, porque os egípcios exigiram a sua saída imediata. O povo encontrou graça diante deles e saiu com muitas riquezas, já que os egípcios davam tudo  que o povo pedia.

Qual a relação da Páscoa dos judeus com a Páscoa dos cristãos? As festas judaicas foram instituídas por Deus e apontavam para o que viria futuramente. Eram como prenúncio das coisas que estavam determinadas para um tempo mais adiante. Todo o Velho Testamento aponta para Cristo, para o plano de Deus de resgatar a humanidade. A Páscoa tinha um cordeiro que deveria ser imolado, seu sangue aspergido nos umbrais da porta da moradia, deveria ser assado e comido às pressas, com ervas amargas e pães asmos. As ervas amargas significavam todo o terror que viveram como escravos no Egito, os pães asmos,  na pressa em prepará-los, não foram fermentados, também podendo significar a separação do pecado.  Na Bíblia, fermento normalmente simboliza pecado e corrupção.

A Páscoa apontava para a redenção que Deus preparou para resgatar o homem da fúria do inimigo. Páscoa, do hebraico pesah, significa “passar por cima”, “pular além da marca”, “poupar”. Foi isso que literalmente aconteceu, o anjo da morte apenas passava ou pulava as casas marcadas com o sangue. Todo o Velho  Testamento indicava que em tempo propício, preparado por Deus, viria o Messias que haveria de libertar o seu povo. Deus, além das alianças firmadas com Abraão, com o seu povo, através de Moisés e Davi,  firmou outra aliança com o povo de Israel, a Nova aliança. Jr 31.31-33. Na Nova aliança, foi anunciado um novo caminho,  um novo tempo para Israel no qual a lei do Senhor seria impressa nos seus corações e teriam prazer em conhecer e obedecer ao Senhor. Essa promessa era mais uma ratificação da promessa de um Redentor e isso só seria possível com a vinda de Jesus para reconciliar o homem com Deus, com a evidência de um novo coração e uma  nova natureza que recebem todos que creem em Cristo para o amarem e o obedecerem voluntariamente.

Jesus, o Filho de Deus, nascido de Maria, por obra e graça do Espírito Santo, veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Verdade historicamente confirmada, ninguém pode refutá-la. Os religiosos judeus, principalmente, por inveja e apego às tradições, perseguiram Jesus ferrenhamente, culminando com seu sacrifício na cruz.

Interessante são os fatos que giram em torno da sua morte. Em primeiro lugar, Jesus foi morto exatamente no dia que os judeus comemoravam a Páscoa. Depois da primeira Páscoa celebrada no Egito, os judeus continuavam celebrando a Páscoa todos os anos, no mês de Nissan, o primeiro mês do ano judaico. Jesus, todos os anos, ia à Jerusalém celebrar a Páscoa. Na última que Jesus participou, Ele mesmo foi o  Cordeiro, o próprio Filho de Deus. A Bíblia diz que Deus o entregou por amor ao mundo, mas também diz que Ele mesmo se entregou e foi obediente até à morte e morte de cruz, fazendo-se maldito por nós.  O cordeiro teria que ser macho e sem defeito, Jesus recebeu a natureza humana, como identificação com o próprio homem, mas nunca pecou, tornando-se apto para a exigência de Deus, um Cordeiro sem mácula. Seu sangue foi derramado através desse sacrifício para que pudesse nos livrar do anjo da morte eterna. Antigamente, para se entrar na presença de Deus precisava de um sacerdote que intermediasse, através de sangue de animais que era derramado no lugar do pecador. Ainda assim, o sumo sacerdote só poderia entrar na presença de Deus, no Santo dos Santos, uma vez no ano, mas, com a morte de Jesus, um novo caminho foi inaugurado, o véu do Templo que separava o Santo dos Santos se rasgou, de alto a baixo,  uma  Nova Aliança começou a vigorar, temos livre acesso ao Pai, judeus e gentios, por meio do sangue de Jesus.

Apesar de Jesus ter morrido cruelmente na cruz, não podemos nos deter aos pés da cruz lamentando a sua morte. Jesus não está mais na cruz, ela está vazia. A morte de Jesus não foi uma derrota para nós, mas uma vitória sobre as hostes infernais que tentam aprisionar o homem. Jesus também não ficou detido na sepultura, mas ao terceiro dia ressuscitou, e isso é a garantia da nossa vitória! Agora, podemos viver em novidade de vida. “Se morremos com Ele, com Ele também viveremos por um novo e vivo caminho”. Se morremos com Ele, renunciando a nossa vida velha, fazemos parte também da sua ressurreição, nEle temos vida eterna.

Páscoa! Tempo de gratidão, de reflexão, de renovar a aliança com Deus, através de Jesus que entregou a Deus o sacrifício perfeito, e, através dele, temos paz, alegria e a certeza do perdão dos pecados, além do prazer de obedecer a sua Palavra, não por medo ou obrigação, mas por amor. Amor àquele que nos amou primeiro e não teve a sua vida por preciosa e a entregou por todos que, através do Espírito Santo, o tem reconhecido como o Cordeiro de Deus que com o seu sangue comprou povos, nações e línguas para viverem com Ele por toda a eternidade.

Você gostaria de fazer parte do Povo mais feliz da terra, do povo resgatado pelo Cordeiro, do povo que sobre si não pesa mais nenhuma condenação? Se você crer verdadeiramente no seu coração que Jesus Cristo é o Filho de Deus, que morreu em seu lugar,  confessar essa verdade com a sua boca e decidir a caminhar com Ele, você será salvo. Você fará parte também da sua ressurreição e terá uma nova vida!

A Soberania da Palavra de Deus

As palavras que proferimos não se perdem no espaço. A seu tempo, elas darão os seus devidos frutos, e cada um se deliciará  ou amargará deles na colheita. As palavras  têm poder de condenação ou absolvição, como sementes, frutificarão segundo a sua espécie. Elas têm poder criador, tanto podem construir ou destruir. Se alguém deseja ver dias melhores e coisas boas, com seus lábios não deve falar palavras tenebrosas, pessimistas ou de maldição sobre a situação que está vivenciando ou sobre a vida de outros.   O que alguém disser certamente se materializará em tempo oportuno. Muito mais a Palavra de Deus, é inquestionável a sua Soberania e Poder!

Deus é espírito,  é um ser pessoal, o Criador de todas as coisas!  A revelação desse Deus é expressa através da  criação, porque tudo que contemplamos na natureza denuncia o Poder e a Soberania de um Ser criativo e original. Quem mais poderia fazer algo semelhante as suas Obras? Ele é o  grande “Eu Sou” que se revelou a Moisés de uma forma especial e, hoje, continua  se revelando ao homem através da sua Palavra, a Bíblia Sagrada. A vontade de Deus, o Único Deus verdadeiro e Criador do Universo, está totalmente explícita nesse livro.  Por isso, não há como amar a Deus e não ser apaixonado por sua Palavra.  A Palavra de Deus é como uma flecha com um alvo certeiro, não são palavras lançadas ao vento, sujeitas a se perderem com o tempo, mas cumpre seu propósito, seja ela de bênção ou maldição: “Assim será a Palavra que sair da minha boca, não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei”. Is 55.11. “Passará o céu e a terra, mas as minhas  Palavras não passarão”. Mc 13.31. A palavra de um rei terreno não pode ser revogada, imagine a força da Palavra proferida pelo Rei da Glória!

Todo o inferno treme, desde os tempos remotos, diante do poder criador da Palavra de Deus. Lúcifer foi o primeiro a experimentar o efeito da Palavra de Deus em relação a juízo  quando, por desobediência, foi expulso da presença de Deus e arrastou consigo um terço dos anjos. Não é de estranhar todo o seu desespero diante da Verdade e todo o seu empenho em distorcê-la.
A Palavra de Deus confronta a mentira, o erro e o engano do reino das trevas. Por isso, seus súditos fazem tudo para resisti-la, principalmente, semeando distorções nas organizações humanas. Hoje, como nunca,  tem se acentuado a semeadura de inverdades  em todos os segmentos da sociedade, até no meio dos filhos de Deus. A Palavra de Deus é Soberana e não está condicionada ao que os sábios e entendidos acham. Ela é o que é, ela é o que ela diz ser, tem peso próprio, não depende do valor ou reconhecimento que alguém possa lhe dar. Segundo o escritor da carta aos Hebreus, a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda transgressão e desobediência recebeu a justa retribuição, como escaparemos se não atentarmos para a salvação proclamada na Palavra de Deus? Também, o apóstolo Pedro faz alusão aos juízos do mundo antigo, na época de Noé e Ló por desobediência da Palavra de Deus. Como Ele poupará os atrevidos que  ousam transgredir a sua Lei deliberadamente?

A não firmeza na Palavra de Deus constitui um perigo iminente de destruição na vida de uma pessoa, principalmente, dos que se declaram cristãos. Jesus comparou esse homem a alguém que edifica a sua casa na areia, sujeita a ser derrubada pelo vento. Roubar o conhecimento da Palavra de Deus ou distorcê-lo tem sido a maior estratégia de satanás para desvirtuar o homem do propósito para o qual Deus o criou. Mas a maior arma para vencê-lo é a própria Palavra de Deus, ele não pode resistir a verdade e certamente fugirá. Foi assim no deserto quando ele tentou Jesus, foi vencido pela Palavra que saiu da boca de Deus, e continua sendo assim. A Palavra de Deus, na boca dos filhos da luz, detona as hostes do mal e faz um grande estrago no reino das trevas.

Por mais que alguma coisa se mostre atraente e lógica aos olhos humanos, revestida de todos os paradigmas modernos e  adequada aos padrões culturais da sociedade,  se fere os princípios da Palavra de Deus, deve ser relegada a  algo desprezível e sem nenhum valor.  O que Deus tem preparado para os seu povo é inegociável e incomparavelmente superior diante das “riquezas” deste mundo caído. “Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele”. Vale ser fiel até à morte. Então, vamos nos empenhar para sermos instruídos e firmados no que Ele diz, moldados segundo o seu padrão,  vamos buscar o conhecimento de Deus e edificar nossa casa sobre a Rocha inabalável e invencível: a Soberana Palavra de Deus!

O jovem rico e sua religiosidade

O jovem rico que procurou Jesus não era apenas detentor de muitos bens, mas, também, sentia-se satisfeito e rico com a sua condição religiosa. Ele procurou Jesus, não como um necessitado da graça de Deus, mas como que buscando aprovação do que ele era e como conduzia a sua vida.

A Bíblia diz que o jovem, sobre o qual podemos ler no Evangelho de Marcos 10.17-30, correu até Jesus, ajoelhou-se, em um ato de religiosidade explícita, e fez a seguinte pergunta: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna? Jesus conhece o coração do homem, nem sempre uma atitude certa corresponde a verdadeira atitude do coração. Jesus confrontou-o usando o vocativo com o qual o jovem se dirigiu a Ele. Jesus sabia qual a verdadeira intenção do seu coração e respondeu: Por que me chamas bom? Bom só há um que é Deus. Jesus queria que aquele jovem buscasse uma identificação com Ele. Jesus, o Filho de Deus, não estava se considerando bom, como alguém ousaria fazê-lo? Hoje, encontramos muitos nessa condição, que procuram se justificar diante de Deus e se acham bons o suficiente para serem salvos, por não fumar, não beber, não roubar e ter “uma religião”.

Jesus continuou perguntando ao jovem: Sabes os mandamentos? Claro que eu sei, não apenas sei como os tenho guardado, desde muito jovem! Em seu coração, o jovem se considerava justo e, assim, merecedor de um lugar no céu. Ele imaginava que poderia ser salvo pelo seu próprio esforço, pelas obras da lei. Para ele nada mais importava, ele era rico em todos os aspectos, não sentia falta de nada.

Jesus continuou e, apesar de olhar para Ele com muito amor e compaixão, essa foi fatal para revelar a sua verdadeira identidade, “Falta-te uma coisa: vai, vende tudo quanto tens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me”. O jovem retirou-se triste, porque tinha muitas propriedades. A riqueza em si mesma não é algo condenável diante de Deus. Ele mesmo abençoou Abraão, Davi, Salomão e tantos outros homens com bens materiais. Mas, por que com esse jovem foi diferente? Jesus teve que tratá-lo no lugar em que ele estava e segundo a disposição do seu coração.   O jovem imaginava que poderia comprar a salvação por sua própria justiça, ele não entendia que a  reconciliação com Deus tinha um preço impagável, que riquezas materiais ou atos de bondade humana nunca seriam suficientes para dar pelo resgate de uma alma humana. Ele, com a  tristeza em renunciar os seus bens, revelou a natureza da sua religião e onde estava  verdadeiramente o seu coração.

Jesus aproveitou esse exemplo para ensinar aos que o seguiam sobre o verdadeiro valor dos bens materiais. Ele não condenava o fato de alguém ser rico ou deixá-lo de ser, seu ministério era sustentado por mulheres ricas, Ele atendia a pobres e ricos, mostrando-lhes o caminho para Deus que é um só, o caminho da renúncia, da negação do eu, de se tomar a própria cruz, de ter tudo como se nada tivesse, não tendo nada por precioso além do próprio Deus. A  riqueza do mundo todo não tem nenhum valor comparado ao valor de uma alma. A  riqueza torna-se uma maldição quando não pode ser renunciada em prol de valores espirituais. A riqueza é prejudicial quando não é subserviente à vontade de Deus e ao exercício da própria fé. A riqueza é nociva quando se torna instrumento de avareza e egoísmo. A riqueza é reprovável quando se torna um ídolo, afastando o homem de Deus.

“Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus”. Muitos tomam essa Palavra como se fossem bem aventurados  os desprovidos de bens materiais porque deles é o reino dos céus. Não é assim, mas refere-se há um clamor interior, por uma necessidade de dependência de Deus, nunca se sentindo satisfeito ou farto da sua presença. Há muitos ricos pobres e muitos pobres ricos. Há ricos que reconhecem que dependem totalmente da graça e misericórdia de Deus para a salvação e existem muitos pobres que se sentem donos de si mesmos, nunca acham que são necessitados  de Deus, mas se firmam em sua pobreza ou falsa humildade e nos seus próprios atos de justiça para a vida eterna.

“Quão difícil é, para os que confiam nas riquezas, entrar no Reino de Deus”. Essa Palavra é bem dura, o seu significado vai muito  além do que  confiar nas riquezas.  Implica no dever de não se ter nada por precioso além dos valores eternos, até a própria vida deve ser considerada sem nenhum valor, diante da preciosidade da  fé e confiança em Deus, diante do que Jesus já conquistou  na cruz. A nossa verdadeira herança  está guardada nas regiões celestiais, onde Cristo já está assentado com Deus. Qualquer coisa que possa se nomear nesta vida, nada é mais precioso do que estar em Cristo e, juntamente com ele, ser herdeiro de Deus !

Sua Bandeira sobre nós é o amor

O Senhor Jesus era judeu, veio para os judeus e usava da cultura judaica para ensiná-los,  por meio de parábolas, figuras, metáforas, para um melhor entendimento de sua mensagem. A ceia do Senhor, o preço pago na cruz, a promessa da sua vinda, a sua ascensão aos céus, tudo tem um fundo comparativo com um noivado judeu, na época de Jesus. Então, no Novo Testamento, a Igreja do Senhor é considerada a noiva de Cristo.

A noiva judia, depois de escolhida, tinha um preço a ser pago pelo seu pretendente ao seu pai. Para isso, era realizada uma cerimônia familiar na qual uma refeição com vinho era servida, e acertadas as cláusulas da aliança a ser firmada, o preço, o pagamento,  as obrigações,  a promessa da volta. Após  o ritual de noivado, o noivo deveria partir para a casa do pai para preparar a câmara nupcial, depois voltaria em um momento inesperado e arrebataria a sua noiva, com a qual tinha uma aliança e já pagara um preço significativo como prova do seu amor.

Figuradamente, a última ceia de Jesus com os seus discípulos corresponde a um ritual ou cerimônia de noivado: os cálices tomados, cada um com sua significação, o  prenúncio da sua morte que seria o preço a ser pago,  a promessa da sua volta. Assim, Jesus depois de cear partiu para o Getsêmani, foi traído por um dos seus discípulos, levado pelos soldados à presença do sumo sacerdote Caifás, escribas e anciãos judeus, onde foi humilhado, cuspido e esbofeteado. Depois, foi conduzido ao governador romano, Pilatos, para ser julgado, sendo acusado injustamente pela multidão e pelos principais da sinagoga judaica. Condenado, apesar de Pilatos não ver nele crime algum, mas para agradar aos seus acusadores, não se posicionou devidamente, e Jesus foi levado à cruz, pagando assim o preço exigido para ter a sua noiva.

O apóstolo Paulo foi bem enfático ao tratar a  Igreja como  a noiva de Cristo, tanto em sua carta aos Efésios 5.22-33 e também aos Coríntios, “Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo”. E, nesse sentido, os cristãos autênticos, porque nem todos que se declaram  o são, aguardam o retorno do noivo para buscá-los como prometeu e, para isso, pagou um preço incalculável como prova do seu grande amor.

O amor da noiva é alimentado pela esperança da volta do noivo. Cada vez que a Igreja participa da ceia do Senhor, ela lembra do preço que o noivo pagou por ela e renova a esperança do seu retorno, como prometeu. 1 Co 11.25-26

A figura do noivado e casamento judeu é aplicada na relação entre Jesus e sua Igreja, porque é uma relação instituída por Deus na qual o amor, a pureza, a fidelidade devem ser evidenciados, e o noivo requer da sua noiva um proceder de santidade e comunhão com Ele. Sabemos que o casamento hoje tem sido vulgarizado, mas Deus não o estabeleceu para ser assim. Jesus, apesar de ter partido para a casa do Pai, está presente através do penhor ou selo que nos outorgou até que volte: o Consolador, o Espírito Santo da promessa. Assim, o noivo e a noiva podem alimentar uma relação constante de comunhão e intimidade. Todos os dias eles podem desfrutar de um banquete espiritual sob a bandeira do amor.

A verdadeira Igreja, apesar de perseguida, não está só, ela tem a cooperação do Espírito Santo de Deus que intercede por ela com gemidos inexprimíveis. Ela aguarda o dia em que o seu Senhor virá buscá-la e estará para sempre dentro dos portais eternos sob a sua eterna proteção e livre de qualquer ameaça inimiga, porque o mal já terá sido aniquilado. Eles desfrutarão, por toda a eternidade, um relacionamento ardente de amor e comunhão que  jamais esfriará. Esse é o Senhor a quem servimos, o nosso noivo, que por nós pagou um alto preço, preço de sangue, como prova do seu grande amor.

Como as noivas judias eram arrebatadas e levadas a casa do pai do noivo, seremos levados à casa do Pai, no qual participaremos das bodas de casamento e voltaremos com o nosso amado, não mais noivo, mas esposo, para reinar na Terra, que foi dada aos homens como morada, e reinaremos com Ele por mil anos! E, depois disso, por toda a eternidade no Novo Céu e na Nova Terra. Por isso, somos o povo mais feliz da Terra! Se escolhemos a sabedoria, valorizamos o privilégio do que somos em Cristo e não o trocamos por migalhas que tentam nos desviar do Caminho.
“Leva-me à sala do banquete e sua bandeira sobre nós é o amor”.

É possível servir a dois senhores?

Sabemos que as trevas têm assolado o mundo e penetrado no coração dos homens. Há uma batalha infindável, entre o reino das trevas e o reino da luz, disputando a vida de cada ser humano deste planeta. O objetivo é único: arregimentar vidas para a eternidade, para a morte ou para a vida, para condenação ou salvação
Há aqueles que deliberadamente servem ao príncipe das trevas, e outros que se posicionam determinantemente sob o domínio do Rei da Glória. Esses são reféns de suas escolhas e estão sob o senhorio do senhor que escolheram para servir. Infelizmente, há os que que têm o coração dividido, ora servem a Deus ora a satanás, estão em cima do muro, dizem pertencer a Deus, mas não abrem mão das coisas disponíveis e reprováveis das trevas.

As sutilezas do mundo espiritual são mais sérias do que se pensa. Nada sai barato quando alguém diz que quer Deus, e até se posiciona no seu reino, mas, de vez em quando, dá uma saidinha para passear no outro reino. O seu senhor costuma fazer prisioneiros de todos que passam por lá, pelo reino das trevas.  Se temos clareza sobre Deus e o significado do seu Reino, precisamos aprender a renunciar tudo o que está fora dele, a aprender a negar o próprio eu, a tomar a própria cruz e não ter nem a própria vida por preciosa. Precisamos aceitar incondicionalmente os valores do Reino de Deus que estão em sua Palavra, sem qualquer dúvida ou contestação. Tudo tem seu preço, servir a satanás tem um preço, servir a Deus também tem seu preço, mas as nossas escolhas revelam o nosso nível de sabedoria, o que verdadeiramente somos e, o mais importante, determinarão o lugar que estaremos no futuro.

O caminho da luz é estreito, espinhoso, não é nada atraente, mas ele conduz aos mistérios de Deus e a uma vida eterna plena da sua presença e de toda glória que se possa imaginar. Tem um final sem qualquer vestígio de dor, tristeza ou sofrimento, mas de gozo em sua total plenitude.
O caminho das trevas pode ser atrativo, de desejos satisfeitos de imediato, de prazeres carnais ilusórios, de fama, de poder, de fascinação, mas o final dele é morte, dor, tristeza e desespero.

O caminho largo é repleto de sutilezas e iscas para atrair e enganar os desavisados e, até mesmo, os andantes do caminho da luz, e muitos são atraídos e tragados pelo seus jogos e brinquedos. Ilusoriamente, muitos imaginam poder usufruir dos dois reinos ao mesmo tempo ou poder estar sob o domínio dos dois senhores. Deseja-se o final do caminho estreito, mas não se despensa os prazeres momentâneos do caminho largo. Jesus disse que não se pode servir a dois senhores, não se pode amar a Deus e ao diabo, não tem como fazer a vontade de Deus e do príncipe das trevas ao mesmo tempo. Se alguém ama a um, é obrigado a odiar o outro. Se servir a um, obviamente, não serve ao outro. Não se pode continuar no caminho largo e fugir do seu final que é a ira vindoura.
Hoje, a oportunidade está, mais uma vez, lançada diante de todos: Escolha a quem servir. Se você acha que Deus é Deus, deve servi-lo sem reservas  e somente a Ele! Se alguém quer servir ao príncipe das trevas, é livre para fazê-lo. Eu escolho o Reino da Luz, escolho Deus, eu e a minha casa!

O frasco de alabastro

Certa vez, Jesus, em um jantar com seus amigos e discípulos, surpreendeu-se com uma situação inusitada: uma das mulheres, Maria, que fazia parte do grupo, foi em sua direção e, sem que ele esperasse, derramou o conteúdo de um frasco de alabastro, um perfume caríssimo, sobre a sua cabeça que escorreu por seu corpo, alcançando os seus pés, os quais ela enxugava com os seus cabelos.

Qual a reação de Jesus diante desse quadro? Muitos, ao lerem essa passagem, estranham o comportamento de Jesus em não ter repreendido a essa mulher e aceitar passivamente a sua atitude. Esse também foi o pensamento de alguns dos discípulos, e um deles não se conteve e expressou publicamente o que estava no seu íntimo: Por que tanto desperdício? Um perfume de um valor tão alto, não seria melhor vendê-lo e dar aos pobres? Quanta economia e cuidado com o bem alheio! Quanta generosidade para com o pobres! Será que ele realmente tinha esses sentimentos? Parece louvável, mas não era autêntico. A Bíblia diz que Judas era ladrão,  o que ele gostaria mesmo era que aquele valor estivesse sob a sua guarda, já que era responsável pelas finanças, “ele tinha a bolsa”. É comum isso se repetir nos dias atuais.  Não faltam os preocupados com os dízimos e ofertas entregues pelos fiéis na Casa do Senhor, não porque desejam uma boa aplicação dos recursos entregues, mas por lamentarem em não ter acesso a eles para fins escusos.

Diante do cenário de corações tão mesquinhos e irreverentes, Jesus revelou  publicamente o significado da atitude gloriosa daquela mulher. Ele a aprovou sem reservas dizendo que aquela ação, pura e desprendida, seria uma unção preparativa para o seu sepultamento.
Jesus espera de nós que derramemos sobre Ele todo o nosso perfume, todo o nosso ser, envolvendo tudo que temos e somos. O Apóstolo Paulo escreveu que somos o bom perfume de Cristo. Semelhantemente, ao frasco de alabastro que foi  usado para o Mestre, em toda a sua totalidade, devemos ser derramados com inteireza de coração, em atitude de adoração ao nosso Deus e Senhor, não apenas em momentos específicos e emotivos, mas em todo o tempo.

O frasco de alabastro significa uma vida sem reservas, no espírito, na alma e no corpo, totalmente entregue, como um sacrifício vivo e aceitável diante de Deus. Tudo o que há em nós deve ser canalizado para a glória de Deus. Isso se constitui em uma verdadeira adoração!